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    Reportagem / Ingo Hofmann – O fotógrafo apaixonado por velocidade

    Seção: Entrevistas
    Data: setembro 30, 2015
    Autor: Claudio Crescencio

    Ingo iniciou seus registros no automobilismo na década de 60 e possui um acervo fotográfico histórico e admirável. O catarinense, que nasceu e mora em Joinville, é casado, tem três filhos e três netos, e aos 64 anos de idade, ainda frequenta os autódromos de Santa Catarina fazendo aquilo que mais gosta de fazer: fotografar. Nesta entrevista especial, nossa Hofmann fala da sua paixão pelo automobilismo e como começou a sua história com a fotografia.

    INGO

    Revista Potência Máxima (RPM)– Ingo, quando começou essa paixão pelo automobilismo? 

     Ingo HofmannA paixão já vem desde a infância. Automóvel sempre fez parte de minha família, meu pai era aficionado por automobilismo, e por volta de 1957 ou 1958 me levou junto a São Paulo para assistir uma Mil Milhas, foi ai que tudo começou. Quando não havia possibilidade de irmos assistir as corridas, ficávamos meu pai e eu, de sábado à noite até após meio dia de domingo grudados no rádio ouvindo a narração na voz de Wilson Fittipaldi ( o Barão ) na rádio Panamericana.

    RPM – Você é formado em direito, certo? Como foi para o lado da fotografia?

     Ingo Hofimann – A fotografia me acompanha desde 1965, mas nunca a utilizei como uma forma de arte. Gostava de fotografar por onde andava, depois mandava revelar para ter uma melhor recordação de como foi o evento, jogava as fotos em uma caixa e fim. Nunca me preocupei em datar e localizar as fotos, não guardei negativos, e isso fez com que grande parte de minhas fotos fosse perdida. A fotografia para mim é um hobby, tanto que não trato as fotos que atualmente publico no Facebook. O curso de direito fiz já adulto, me formei em 1997, já com 46 anos. Foi para acompanhar e vigiar a filha, como os “maldosos” costumam dizer. Apesar de ter concluído o curso e sido aprovado no exame da ordem, não exerço a advocacia.

    RPM – Quando começou a fotografar suas primeiras corridas?

     Ingo HofmannA primeira corrida que fotografei foi uma corrida no autódromo de Interlagos, em dezembro de 1966. A câmera foi uma Kodak Rio 400, quase nenhuma foto foi aproveitada. Sempre fotografei para mim mesmo, nunca tive vínculo com alguém ou com alguma editora. Cedi fotos para o Palestra, da revista Pista Livre e também para a revista Talento Motor, revista que infelizmente não é mais editada.

    RPM – Como você vê a fotografia para o automobilismo?

     Ingo HofmannAté a massificação da televisão e da internet, era a fotografia que contava a história de uma corrida de automóveis. Meu pai assinava ou comprava uma revista intitulada, se eu não estiver enganado, Automóveis que além de falar sobre automóveis trazia excelentes relatos sobre as corridas de fórmula 1 dos anos 50. Junto com o texto vinham ótimas fotos, o que facilitava o entendimento da corrida.  Atualmente são poucas as revistas que fazem um relato de como foi a corrida e trazem fotos mostrando alguns acontecimentos importantes na prova. É só foto de vencedor e de bom pagador. O que se vê atualmente é uma grande preocupação com produção de foto arte. A foto tem que ser bonita.

    RPM – Quais as categorias que já fotografou?

     Ingo HofmannJá fotografei Stock Car Brasil, GT Brasil, Fórmula Truck, WTCC, provas de campeonatos regionais em Curitiba e principalmente o Campeonato Catarinense de Automobilismo, onde fotografei quase todas as corridas das temporadas de 2006 até 2010.

     RPM – Você acompanhou e fotografou as Mil Milhas, certo? Em que época e que lembrança traz isso a você?

     Ingo HofmannForam algumas Mil Milhas que acompanhei, a última foi a de 1970, prova em que pela primeira vez se viu n Brasil uma Ferrari 512. Infelizmente não fotografei nenhuma delas. Sinto uma saudade enorme dessas provas de longa duração. Tínhamos até o final dos anos 60 várias delas: 6 Horas de Interlagos, 12 Horas de Interlagos, 1000 Km de Interlagos, 1600 Km de Interlagos, 24 Horas de Interlagos e a mais famosa e melhor de todas as corridas brasileiras, as Mil Milhas de Interlagos.

    RPM – Sempre acompanha o automobilismo catarinense, ou hoje está mais tranquilo?

     Ingo HofmannJá não vou mais a todas as corridas do Campeonato Catarinense de Automobilismo, minha participação limita-se a corridas realizadas próximas a Joinville, como São Bento, Lontras e Ascurra, e cuja data de realização não conflite com algum outro compromisso meu. Já se foi o tempo em que a prioridade absoluta era a de fotografar as corridas. Atualmente há que faça isto muito bem feito.

    RPM – Nesse meio, quais são outros fotógrafos que você admira? Já fez muitos amigos? Como avalia o automobilismo numa forma geral atualmente?

     Ingo HofmannHá gente ótima fotografando o automobilismo brasileiro. Conheci muita gente boa neste ramo da fotografia. É difícil admirar um só, cada um tem uma característica bem própria no registrar algum evento ocorrido em uma corrida. Contato mais próximos com fotógrafos de corrida tem o pessoal que fotografa o automobilismo catarinense e o paranaense. Posso dizer que formamos um grupo bastante divertido, apesar de haver uma bela diferença de idade entre os mais novos e os barba branca como eu. A meu ver, temos atualmente dois grupos de automobilismo no Brasil. O primeiro grupo, o dos endinheirados, que é formado pelos participantes da Fórmula Truck, Stock Car, Brasileiro de Marcas, Mercedes Challenge, Porsche Cup. O  grupo dos que vivem o automobilismo de verdade, ou seja, aquele pessoal que luta contra todas as dificuldades, junta todos os seus tostões, se submete a mandos e desmandos das federações para poder colocar seu carro na pista e poder acelerar por alguns poucos minutos em um final de semana. Infelizmente não há qualquer apoio por parte das montadoras e outros grandes patrocinadores ao automobilismo brasileiro.

    RPM – Você é fã de carteirinha das Carreteras e esteve em 2007 fotografando um evento em Passo Fundo. De onde vem essa paixão?

     Ingo Hofmann – Meu primeiro contato com carro de corridas foi com Carreteras, Mil Milhas de 1957 ou 1958. Imagine o que é para um moleque de sete anos ir com o pai a Interlagos, à noite, e de repente em meio a uma semiescuridão ouvir o rugir de uns 40 motores V8! Ver aquelas máquinas rapidamente aumentarem sua velocidade e com seus fracos fachos de luzes irem rasgando a noite no autódromo. Isto não se esquece jamais, vive-se com isso para sempre. o Paulo Trevisan levou algumas de suas velhas senhoras ao Autódromo Alceu Feldmann, em Lontras e me deu um presente inesquecível: duas voltas a bordo da Caninana, a Carretera que pertenceu a Orlando Menegaz. Jamais irei esquecer aquele rangido de molas, o choro da caixa de câmbio, os solavancos  de todo o carro, o rugido do corvetão. Essa alegria devo eternamente ao Trevisan.

    RPM – Quais  são as principais dificuldades para os fotógrafos hoje em dia e como você vê a tecnologia no meio?

     Ingo Hofmann Não posso me rotular de fotógrafo, mas acredito que atualmente, para os profissionais, a maior dificuldade está no que a proliferação da fotografia digital criou, um grande número de fotógrafos amadores. Ficou fácil e barato capturar e gravar imagens e isto tem prejudicado, em muito, os verdadeiros fotógrafos, aqueles que adicionam um trabalho técnico e artístico à foto.

    Mas é notório que com a criação da fotografia digital e dos modernos celulares, ocorreu quase que uma banalização da fotografia. Atualmente o que mais se vê ao andar por onde quer que seja, é alguém fotografando com uso de celular ou câmera digital.

    No que atualmente se conceitua como fotografia e fotógrafo, eu posso ser considerado um retrógrado. Para mim, fotografar é captar e registrar uma imagem com os recursos disponíveis no equipamento utilizado.  Atualmente a tendência é conceituar que fotografar é algo mais do que isto, é saber tratar em programas específicos, como o Photoshop, a imagem capturada. Vê-se muita imagem publicada como sendo foto de A, B, ou C, imagem que jamais será vista na natureza ou no meio em que foi captada. O bom é que ainda há muita gente boa por ai fotografando em câmeras analógicas (filme) e tratando as fotos apenas para corrigir uma ou outra imperfeição.

    RPM – Você já pilotou um carro de corrida em pista, ou já competiu alguma vez?

     Ingo HofmannNunca pilotei carro de corrida algum e tampouco participei de alguma competição automobilística. As únicas corridas de que participei foram; uma corrida de bicicletas, no tempo em que frequentava o ginásio, corrida em que cai e não terminei a prova e uma corrida de rolimãs, descendo a Serra Graciosa, antiga estrada de Curitiba a Paranaguá, isto em 1972 ou 1973.

    RPM – Tem algum ídolo no automobilismo?

     Ingo Hofmann –  Com certeza tenho. Toda aficionado por automobilismo tem o seu ou seus ídolos. Os meus são: Juan Manuel Fangio que considero ser o mais completo piloto até agora, pois foi campeão com todos os carros que pilotou e conquistou seu 5º título de campeão da F1, pilotando um carro reconhecidamente ultrapassado. No automobilismo minha grande admiração sempre foi por Camilo Christófaro, famoso por sua garra ao pilotar aquela fantástica Carretera amarela nº 18.

     

    Veja algumas fotos registradas pelo fotógrafo em nossa galeria

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